Sensibilidade ao contraste
Traduzido de
http://www.lea-test.fi/en/vistests/instruct/contrast/csensiti/csensiti.html
A sensibilidade ao
contraste é uma habilidade visual que possibilita a visão de detalhes quando há
exposição a diferentes níveis de contraste. Esta informação visual é muito
importante em várias ocasiões, como por exemplo:
1. Comunicação
interpessoal: as sombras tênues em nossos rostos carregam a informações visuais
relacionadas às expressões faciais.
2. Orientação e mobilidade:
necessitamos ver formas críticas de baixo-contraste como o meio-fio e degraus
da escada, por exemplo. No trânsito, várias situações estão em nível baixo de
contraste, como enxergar ao anoitecer e durante a noite, na chuva, no nevoeiro.
3. Tarefas domésticas: há
numerosas situações visuais em baixo contraste, como corte de alimentos,
verificando a qualidade ao passar a ferro, etc.
4. Tarefas próximas de
visão: durante a leitura e escrita, se a informação está em baixo contraste
como em cópias de má qualidade ou em uma anotação pouco legível, etc.
Quando uma pessoa pode ver
detalhes em muito baixo contraste, sua sensibilidade de contraste é alta e
vice-versa. Dependendo da estrutura do estímulo usado na medida - qualquer
forma ou tamanho diferente – a sensibilidade de contraste de uma pessoa adquire
diferentes valores.
O contraste é criado pela
diferença em luminância de duas superfícies adjacentes, ou seja, na quantidade
de luz refletida destas superfícies. O contraste pode ser medido em diferentes
formas. Em trabalhos clínicos, usa-se normalmente a fórmula de Michelson:
![]()
Há também a definição de
Weber de contraste:
![]()
onde
indica a luminância
em superfícies claras e
a luminância em superfícies escuras.
Quando a superfície mais
escura é preta e não reflete nenhuma luz, a relação é 1.
O contraste normalmente é
expresso em porcentagem, sendo a relação multiplicada por 100.
O contraste máximo
representa 100% de contraste. Os optotipos dos projetores são próximos do
contraste máximo. Quando o contraste baixo percebido é de 5%, a sensibilidade
de contraste é 100 / 5 = 20. Se o contraste baixo percebido por uma pessoa é
2,5%, a sensibilidade de contraste é 100 / 2,5 = 40.
Não há recomendação
internacional sobre como as medidas de sensibilidade ao contraste da acuidade
visual devem ser definidas. Portanto há diferenças entre as provas do contraste
de fabricantes diferentes.
Qual
luminância deve ser usada?
Não existe uma recomendação
internacional para o nível de luminância na prova de sensibilidade de
contraste. No entanto há uma recomendação em relação à luminância ideal para a
prova de medida da acuidade visual. Neste caso recomenda-se um nível de
luminância igual ou superior a 85 candelas (unidade de medida de intensidade
luminosa no sistema internacional, igual a 1 / 60 da intensidade luminosa de um
centímetro quadrado da superfície de um radiador perfeito na temperatura de
solidificação da platina) por metro quadrado.
Nos Estados Unidos e em
vários outros países, a medida de acuidade visual para pesquisa é feita através
de iluminação posterior com luminância ajustável entre 220 e menos de 1 cd/m²
através da utilização de filtros.
Medida
da sensibilidade ao contraste
B

Acuidade visual é representada ao longo do eixo
horizontal e sensibilidade de contraste ao longo do eixo vertical. O tamanho
dos símbolos diminui ao longo do eixo horizontal e eles tornam-se mais pálidos na
direção vertical. O limite entre os símbolos visualizados de tamanho muito
pequeno ou de coloração muito pálida são retratados por uma curva conhecida
como Curva de Sensibilidade ao Contraste (gráfico da figura A). A forma de seu
declive para a direita é a parte que mais interessa da curva nos casos
clínicos. Para definir o declive da curva de sensibilidade ao contraste,
necessita-se de duas ou três medidas. A primeira define o ponto no eixo X, ou
seja, o valor da acuidade medido no meio normal. A segunda é a definição do
limite superior da parte reta do declive normalmente localizado entre 1- 5% da
área de contraste. Uma medida adicional em contraste mais baixo é
freqüentemente interessante.

figura A
Os valores limítrofes de sensibilidade ao contraste
podem ser medidos com duas técnicas diferentes usando optotipos:
Teste de medida do contraste de
sensibilidade
O teste é idêntico à medida de acuidade
visual em nível alto de contraste. Medimos o menor tamanho de optotipo que a
pessoa pode reconhecer. O limite é definido quando pelo menos 3 dos 5 optotipos
são reconhecidos corretamente. A prova de 2,5% de contraste é a prova prática
mais usada na clínica. O ponto limiar na curva é longe o suficiente do alto
valor de contraste, de modo que o declive da curva pode ser definido. Em
pessoas com visão muito baixa, o teste deve ser feito muito próximo, podendo
exigir o uso de lentes de leitura.
O teste deve ser feito movendo-se os
optotipos rapidamente para baixo no painel e pedindo que a pessoa identifique o
primeiro ou o último símbolo em cada linha. Quando a pessoa hesita ou comete um
erro, retrocede-se uma linha e pede-se que a pessoa leia a linha inteira.
Registra-se o resultado com o número de optotipos que a pessoa conseguiu ler
corretamente. Exemplo, se no contraste de 2,5% um dos símbolos foi lido
incorretamente na linha 20/63 (6/18, 0,3) registre o valor da acuidade visual
como 20/63 (-1) em 2,5%.
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#253800 |
#271600 |
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Painéis de acuidade visual de baixo
contraste. Os optotipos são impressos em 2,5% (os antigos 25%, 10%, 5%, e 1,25%
painéis ainda são disponíveis). O painel de baixo contraste para o ETDRS também
é disponível.

Os resultados da prova de sensibilidade ao
contraste são marcados na folha de registro. No quadro acima, por exemplo,
mede-se a acuidade visual nos níveis 2,5% e 1,2% de contraste (A´ com 1,2% e B´
com 2,5%). Se a acuidade visual da pessoa era 20/20 (6/6 ou 1,0), a linha
ligando estes três pontos, A´, B´ e X, representa o declive da curva de
sensibilidade ao contraste desta pessoa. Registrou-se os resultados de 20/50
(6/15 ou 0,4) com 2,5% e 20/100 (6/30 ou 0,2) com 1,2% de contraste.
Variação da
sensibilidade ao contraste normal
Entre as pessoas com visão normal, tanto
a acuidade visual como a sensibilidade ao contraste tem um vasto leque de
variação. Em acuidade visual, 20/25 (6/9, 0,8) é um valor normal baixo; os
valores normais altos são três vezes superior, 20/8 (6/2.5 mais alto, 2,5). De
forma semelhante, a variação normal dos valores de sensibilidade ao contraste é
grande. Portanto, um valor dentro da faixa de normalidade pode ou não dizer que
essa pessoa em particular tem sensibilidade ao contraste normal. Se uma pessoa
possuía um valor de sensibilidade ao contraste alto, esta pode diminuir para
menos da metade ou um terço e ainda permanecer dentro da faixa de normalidade.

A faixa de variação normal na medida da
acuidade visual (linha horizontal) e na sensibilidade ao contrate (linha
vertical) é grande. Se uma pessoa possuía um sensibilidade ao contraste em “A”
e posteriormente foi para “A´”, os valores continuam dentro da normalidade, mas
esta alteração pode significar um processo patológico.
Uma mudança na sensibilidade ao contraste
pode ser um dado muito importante no diagnóstico de algumas doenças. Por causa
da grande variação nos valores normais, necessita-se de uma medida anterior
para se comparar e observar alguma mudança.
Idealmente, a acuidade visual e a
sensibilidade ao contraste devem ser medidas no final da infância ou na
adolescência. Estes valores devem ser registrados e servem como parte da
informação básica relacionada à saúde de cada pessoa. Uma mudança exige que se
faça uma investigação para descobrir a causa. Embora a causa mais comum seja
uma mudança no poder refrativo do olho, que é um achado benigno, repetindo-se a
medida de sensibilidade ao contraste seria benéfico como uma parte dos exames
de saúde de rotina para diagnosticar possíveis alterações no trajeto visual.
A medida de sensibilidade ao contraste
também nos ajudaria a entender melhor as queixas de uma pessoa cuja acuidade
visual em alto contraste não mudou, mas cuja visão diminuiu em níveis baixos de
contraste. Então, poderíamos mensurar e confirmar a mudança na acuidade visual
em baixo contrate, o que é relatado por muitos pacientes.
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Variação
no declive na acuidade visual em indivíduos normais. |
Se algumas tarefas exigem boa função visual em
níveis baixos de contraste, a acuidade visual sozinha não seleciona as pessoas
para essa tarefa particular. Por exemplo, se a tarefa é notar aviões
aproximando-se dentro de nuvens baixas, estes aviões são mais bem vistos por
uma pessoa com boa acuidade visual no alcance de contraste de 1-5%. Desde que a
queda no declive da medida da sensibilidade ao contraste varia mesmo em
indivíduos normais, é possível que a pessoa com acuidade visual mais baixa em
alto contraste tenha melhor função nos níveis mais baixos de contraste que uma
pessoa que tem acuidade visual mais alta em alto contraste. Isto é
particularmente importante em algumas tarefas que exigem função visual
excepcionalmente boa em baixos níveis de contraste
Tipos de variação na
sensibilidade ao contraste
Normalmente a perda de função visual é
semelhante em alto e em baixos níveis de contraste. Há o deslocamento da curva
em direção à esquerda sem mudança na sua declinação (Tipo I). Quando há uma
lesão pequena no centro da mácula, a acuidade visual pode diminuir várias
linhas, todavia na visão de baixo contraste a perda pode não existir ou ser
muito pequena (Tipo II). A mudança do tipo III é caracterizada por uma discreta
ou nenhuma perda de acuidade visual em alto contraste e uma perda maior de função
visual em baixo contraste. As causas mais comuns de levar a este tipo de perda
visual são: retinopatia diabética, catarata, glaucoma e neurite óptica.

Tipos de
mudanças na sensibilidade ao contraste
Clinicamente, pode-se ter três pessoas
com tipos diferentes de perda de sensibilidade ao contraste mesmo tendo valores
de acuidade visual semelhante. Portanto, elas possuem função visual diferentes.
As três pessoas cujas curvas de sensibilidade ao contraste estão representadas
na figura abaixo possuem acuidade visual de 20/63 (6/18 ou 0,3). A pessoa A
possui função visual normal em baixo contraste, como uma pessoa normal. A
pessoa B tem uma diminuição no contraste e o comportamento típico de uma pessoa
com visão baixa (trazendo textos mais próximo para leitura e movendo mais
lentamente em escadas, etc). A pessoa representada pela letra C perdeu funções
visuais em contraste baixo e está severamente prejudicada. Estas três pessoas
com a mesma acuidade visual, possuem diferentes sensibilidades ao contraste,
sendo uma é normal, uma com baixa visão e uma com função visual severamente
comprometida.

Curva de sensibilidade ao contraste de
três pessoas com acuidade visual 20/63
(6/18 ou 0.3).
Menor acuidade visual pode significar melhor visão

Se algumas tarefas exigem boa função
visual em baixos níveis de contraste, a acuidade visual só não seleciona as
pessoas mais adequadas para exercer convenientemente bem determinada tarefa em
particular. Por exemplo, se a tarefa é notar aviões aproximando-se dentro das
nuvens baixas, estes aviões são melhores vistos por uma pessoa com boa acuidade
visual no alcance de contraste de 1-5%. Desde que o declive na curva varie
mesmo em indivíduos normais, é possível que pessoa com acuidade visual mais
baixa em contraste alto tenha melhor função nos níveis mais baixos de contraste
do que uma pessoa que tem acuidade visual mais alta em contraste alto. Isto é
particularmente importante em tarefas ocupacionais que exigem função visual
excepcionalmente boa em níveis baixos de contraste.
Resumo
A avaliação da função visual
em baixo contraste acrescenta uma dimensão importante na avaliação de
capacidade das pessoas. Portanto deve ser parte da avaliação da visão em saúde
ocupacional e em serviços especializados em baixa visão assim como na
propedêutica oftalmológica. Com um teste de fácil execução, é possível avaliar
a sensibilidade ao contraste em vários níveis.